Como implementar as TDs (TECNOLOGIAS DIGITAIS) nos Projetos de Aprendizagem?
Antes de se lançar à aventura de implementar as TDs nos Projetos de Aprendizagem, ou em qualquer outro projeto, é necessário ter em mente que precisamos:
Dispor de recursos tecnológicos (TDs) e facilitar o acesso a eles.
Não dá para levar classes inteiras para atividades em Salas de Informática com três computadores capengas. Não dá para implementar o uso das TDs com Salas de Informática trancadas com cadeado a maior parte do tempo, computadores quebrados e obsoletos e a necessidade de uma burocracia gigantesca para seu uso. É preciso ter bons equipamentos e acesso facilitado a eles.
Planejar a inserção das TDs nas diferentes atividades do projeto em função de sua utilidade e disponibilidade, visando sempre a melhoria da qualidade dos produtos ou processos.
Primeiro planejamos o projeto, montamos as seqüências didáticas, listamos as atividades, etc., somente depois nos perguntamos “o que eu posso fazer melhor se usar as TDs de que disponho?”.
Propor a construção de um blog em uma escola onde a imensa maioria dos alunos não tem acesso à Internet tem algum propósito? Propor que os gráficos estatísticos sejam feitos usando-se uma planilha de cálculo quando nem o professor nem os alunos sabem como fazê-lo, têm algum ganho? Esse ganho compensa o custo-benefício da ação?
Documentar, relatar, analisar e registrar o uso das TDs e seu impacto nos Projetos de Aprendizagem.
Usar TDs é algo ainda novo e muito pouco documentado. Muitas ações envolvendo as TDs não surtem efeitos positivos.
É preciso documentar e avaliar o impacto desse uso para a tomada de decisões para os próximos projetos. A própria documentação e análise do impacto do uso das TDs implica, muitas vezes, no uso dessas TDs (documentos digitados, planilhas, apresentações, etc.).
Compartilhar experiências e aprendizagens (reuniões pedagógicas, formações, dia-a-dia, etc.).
A forma mais rápida e eficaz de aprender a usar as TDs em uma escola é compartilhar o conhecimento que se tem delas e de seu uso.
Não dispomos de tempo para “aprender tudo sobre um dado recurso antes de usá-lo”, o aprendizado se dá por etapas somativas, de forma colaborativa e geralmente por tentativa e erro.
Promover uma política de inovação constante, dar continuidade aos projetos e procurar envolver cada vez mais os diferentes agentes.
Equipamentos e softwares obsoletos e a falta de atualização sobre os novos recursos tecnológicos à disposição torna o uso das TDs desinteressante para alunos e professores.
Que graça tem usar um computador velho e lento, rodando sobre um sistema operacional ultrapassado e que vive travando?
Que novas idéias surgiram nos projetos anteriores e que podem ser implementadas agora? Quais são os novos agentes, alunos e professores, que podem se interessar pelo uso das TDs? Como podemos seduzi-los?
Incentivar, valorizar, expor, divulgar e premiar as inovações que produzem bons resultados.
De que adianta um projeto ter feito uso produtivo das TDs se isso não for capitalizado como marketing para os próximos projetos e nem for divulgado para além dos muros da escola?
Porque um professor deveria usar novamente as TDs se isso não é reconhecido nem valorizado, nem mesmo quando tudo dá certo? Que valor tem um projeto esquecido, um esforço não reconhecido ou mesmo um fracasso não compreendido?
Repensar o modelo de professor para incorporar um novo perfil profissional: o perfil do “Professor Digital“.
O professor digital é o profissional que toda escola deseja ter, mas nenhuma deseja pagar.
O novo perfil do professor demanda uma dedicação muito maior “fora da sala de aula” do que dentro dela. O professor digital tem o direito de errar, o compromisso de aprender sempre e a certeza de que nunca saberá o suficiente. Esse novo professor não é uma solução para os problemas da educação ou mesmo de sua escola e, além disso, traz consigo novas demandas que são muitas vezes compreendidas como problemas e não como soluções.
É preciso que a gestão da escola (e os gestores das políticas públicas) compreenda as necessidades desse novo profissional e viabilizem a sua ação.
A experiência que eu mesmo acumulei sobre esse tema, acompanhando os projetos de milhares de escolas que participaram do projeto Coisas Boas (Educarede/SEE-SP) nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, me leva a crer que os Projetos de Aprendizagem reunem todas as condições para permitirem a inserção das TDs nas escolas de forma natural e produtiva, retirando delas o estigma que vem sendo alimentado em muitas escolas de serem “complicações extras e inúteis” ao processo de ensino e aprendizagem.
(*) Para citar esse artigo (ABNT, NBR 6023):
ANTONIO, José Carlos. Projetos de Aprendizagem e Tecnologias Digitais, Professor Digital, SBO, 04 maio 2009.






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